Peguei nas malas, fechei a porta do quarto que me acolheu durante 11 meses, e dirigi-me para o aeroporto, mas o sentimento que vem comigo e’ bem mais diferente. Chorei imenso, por todas as coisas que passei aqui, por todas as amizades que fiz, por todas as dores de cabeça, pelas três semanas há procura de um quarto, por todas as saudades, por tudo o que esta cidade magnífica me ofereceu. Fiz amizades que espero que fiquem para a vida, conheci pessoas, lugares que vão sempre ficar para sempre marcados na minha memória. Aprendi a cozinhar, a sobreviver sozinha, aprendi a ser forte, a ser mais desinibida, a não julgar as pessoas por aquilo que aparentam e aprendi que há culturas, pessoas, cidades fantásticas para além do nosso país. Todas as pessoas me diziam que o melhor ano das nossas vidas é o ano de Erasmus, sim é verdade, é a melhor experiência das vossas vidas acreditem, e recomendo a todas as pessoas para o fazerem.
A experiência em viver noutro país é sempre benéfica. Uma fez ao fazer um trabalho sobre a migração apercebi-me que existem duas fases que encaixam perfeitamente: “Ambivalência porque são ganhos e perdas profundas ao mesmo tempo. Na verdade, um primeiro momento de muitas perdas, e paulatinamente os ganhos vão dando lugar a elas. Todos que saem do seu país sabem das coisas que vão deixar mas não sabem as coisas que vão ganhar. Por isso ninguém tem 100% de certeza de que essa é a escolha certa. Por isso choro e riso, festas de despedida com momentos de alegria, orgulho e outros de medo e angústia. A outra característica é a solidão: tudo o que você conquistar (desde aprender a pedir um pedaço de pão na padaria), até amigos, pessoas que te querem bem, o idioma, a geografia, o saber orientar-se dentro das cidades, tudo são conquistas pessoais e intransferíveis. Da mesma forma as lágrimas, arrependimentos, dores e desamparo são únicos. Não há nada nem ninguém que possa mensurar ou compreender esses sentimentos. Eu poderia passar anos contando como foi viver na Itália, na Alemanha ou na Espanha mas nunca ninguém poderá captar a riqueza do que foi viver por lá.”. É mesmo isto apesar de vos descrever o que vivi, o que senti, ninguém vai conseguir captar esta riqueza. Vai custar voltar para casa, voltar a não conseguir gerir o meu tempo, não poder viajar, não poder fazer o que quero, naquela hora e naquele momento específico. Tornei-me egoísta vivi um ano sozinha e custa agora voltar a um mundo em que tenho de depender de outros. Mas a vida é assim, pode ser que volte a fazer “Erasmus”. Lutem pelos vossos sonhos, não tenham medo das consequências, porque vão-se aperceber, como eu, que os sentimentos mais negativos são os melhores para as pessoas crescerem.
“Segredos desta cidade levo comigo para a vida.”